_newsletter_contactos_
 
 
InícioInformaçõesSobre o MuseuExposiçõesVisita VirtualPresidentesEducaçãoFormaçãoArquivo DigitalAgendaImprensaMPR Júnior
Facebook
Google+
Twitter
YouTube
Flickr
 PermanenteTemporáriasItinerantesArquivo
Os Presidentes de Columbano Bordalo Pinheiro



Ampliar
 


Ampliar
 


Ampliar
 
 

No decurso da agitada Primeira República (1910-1926), Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929) retratou três dos seus nove presidentes: Manuel de Arriaga, Teófilo Braga e Manuel Teixeira Gomes, respectivamente em 1914, 1917 e 1925, todos amigos do pintor e intelectuais prestigiados.

A escolha de Columbano para a realização destas pinturas terá sido sobretudo ideológica e ética: ele era, desde 1880, o mais ilustre retratista da intelectualidade portuguesa (escritores, poetas, artistas de teatro) mas não o fora nunca da família real; por outro lado, desempenhava, desde 1914, o cargo de director do Museu Nacional de Arte Contemporânea, sendo, simultaneamente, professor de Pintura de História da Academia Nacional de Belas-Artes. Era, indiscutivelmente, republicano por convicção e acérrimo defensor dos valores estéticos oitocentistas, fechado aos reptos da modernidade que os jovens (do grupo de Fernando Pessoa e de José de Almada Negreiros) procuravam difundir a partir do palco de representação que era a Brasileira do Chiado.

As pinturas realizadas enunciam, logo no Retrato de Manuel de Arriaga, a plena adequação do artista à finalidade da encomenda: é uma obra austera que, mais do que o presidente,  imobiliza o homem para quem a assunção do cargo não fora um destino mas um compromisso ético para com a nação. Columbano utiliza, como habitualmente, uma grande economia de meios cromáticos, sobretudo os castanhos e os negros, concentrando a luz difusa na particularidade do rosto que nos olha, numa atitude suspensa, naturalizada pelo à vontade da posse mas nobilitada pelo aparato discreto da cadeira presidencial. Assim, estava encontrado o modelo estético para a galeria que ali se iniciava, pondo a qualidade de uma pintura tradicionalista ao serviço da jovem República que, nas artes como na cultura em geral, sempre operou dentro dos valores herdados que, aliás, ajudou a consolidar.

No entanto, no Retrato de Teófilo Braga (1917), Columbano questionou profundamente a sua própria estratégia. Talvez por exigência ou sugestão do retratado – um dos mais ilustres intelectuais portugueses de então – o aparato oficial desapareceu e o que nos é proposto é o professor, ladeado dos seus livros, num ambiente de trabalho doméstico. A figura é frágil, de rosto quase angustiado e corpo contraído. O pintor detém-se, com mestria, na invenção de timbres nos castanhos do vestuário e na mancha difusa do fundo, dinamizando a cena através do jogo compositivo entre a mesa de trabalho e os livros, onde as cores pálidas constróem uma sombria luz. Nada acontece no centro da tela porque a figura está deslocada para um  dos lados e este facto é essencial para a fragilização do retrato: da cabeça para as mãos há um poderoso triângulo expressivo mas, não ocupando os eixos fundamentais da composição, deixa o nosso olhar pairar e distrair-se na simbologia dos adereços que adquirem um peso igual ao da figura. Este facto, reforçado com a notável qualidade da pintura, fazem deste retrato a obra mais qualificada da galeria, cujo anti-convencionalismo só voltará a encontrar-se no Retrato de Mário Soares de Júlio Pomar.

Quanto ao Retrato de Manuel Teixeira Gomes (1925), ele apresenta a qualidade dos bons retratos de Columbano mas, na verdade, está longe da eficácia do que lhe pintara em 1911 (Col. Museu do Chiado), quando o retratado era apenas um homem de cultura cosmopolita, romancista maior e apaixonado coleccionador das mais diversas tipologias artísticas. Em 1925, quando pousa enquanto Presidente da República, Teixeira Gomes está envelhecido e, talvez já, intimamente desistente (demitiu-se das suas funções no final desse ano): o pintor, de que foi grande amigo, capta-lhe essa espécie de ausência, iludida pela presença dos objectos de arte que o ladeiam.

 

ver informaçao detalhada
< Voltar atrás
Presidência da República_links_site acessível[D] site acessível_ comentários_e-cards_mapa do site_informação legal
Museu da Presidência da República     Desenvolvido por Vector21.com    _ficha técnica