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Presidentes - Primeira República - Bernardino Machado
<p>Bernardino Machado</p>

BERNARDINO LUÍS MACHADO GUIMARÃES

Rio de Janeiro (Brasil), 28.03.1851
Porto, 29.04.1944

Introdução
Dados Biográficos
Carreira Profissional
Carreira Política
Eleição (1º mandato)
Mandato Presidencia (1º mandato)
Depois da Presidência (1º mandato)
Eleição (2º mandato)
Mandato Presidencial (2º mandato)
Depois da Presidência (2º mandato)

[Introdução]  voltar ao índice

Bernardino Machado assume, por duas vezes, o lugar de mais alto Magistrado da Nação: no primeiro período, para o quadriénio de 1915-1919 e, no segundo, para o de 1925-1929. Não cumpre nenhum deles por completo, abortados que são pelos movimentos militares de Sidónio Pais (5-12-1917) e de Mendes Cabeçadas e Gomes da Costa (28-5-1926).

[Dados Biográficos]  voltar ao índice

Bernardino Luís Machado Guimarães nasce no Rio de Janeiro (Brasil) em 28 de Março de 1851, filho de António Luís Machado Guimarães e da sua segunda mulher, Praxedes de Sousa Ribeiro Guimarães.

Seu pai, nascido em Vila Nova de Famalicão em 31-1-1820, é um abastado comerciante que emigrara para o Brasil. Em 1870 seria o 1.º barão de Joane, sua terra natal, designado por decreto régio.

Vive os primeiros anos no Brasil, regressando a Portugal em 1860 com a família, que se fixa em Joane e depois em Famalicão. Em 1872, atinge a maioridade e opta pela nacionalidade portuguesa.

A 19 de Janeiro de 1882 casa com Elzira Dantas, de quem terá 19 filhos. Elzira, filha do conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira, é uma incansável companheira e colabora na vida pública sempre que as preocupações familiares o permitem. Durante a I Guerra Mundial promove a criação e assume a presidência da Cruzada das Mulheres Portuguesas, instituição na qual participam igualmente as suas filhas Maria e Joaquina. Acompanhará o marido nos dois períodos de exílio. Desses anos amargurados, Elzira deixa o testemunho Contos - Para os Meus Netos, escrito em La Guardia em 1934.

Inicia os estudos no Liceu de Laranjeiras (Rio de Janeiro) em 1859. Com a vinda definitiva da família para Portugal no ano seguinte, passa pelo Colégio Podestá, concluindo a instrução primária no Liceu Nacional do Porto em 1862.

Em 1866 ingressa na Universidade de Coimbra, onde conclui em 1873 o bacharelato em Matemática e em Filosofia (que iniciara em 1867).

Em 1875 licencia-se em Filosofia.

Em 1876 termina o doutoramento na mesma área de estudo, apresentando a tese Dedução das Leis dos Pequenos Movimentos Periódicos da Força Elástica.

[Carreira Profissional]  voltar ao índice

Em Fevereiro de 1877 é nomeado lente substituto da Faculdade de Filosofia da Universidade de Coimbra, encarregado da cadeira de Agricultura. Dois anos depois é nomeado professor catedrático.

Em 1880 lecciona Geologia, em 1881 fica responsável pela cadeira de Agricultura, passando em 1883 a reger a 1.ª e a 2.ª cadeira de Física. Em 1886 fica responsável pela cadeira de Antropologia.

Continua como professor até 1907, ano em que se demite em protesto contra a ditadura de João Franco (16-04-1907).

Em 1890 preside à Academia de Estudos Livres; em 1892 e 1897 preside aos congressos do Magistério Primário, tendo igualmente representado Portugal nas comemorações do Tricentenário de Cristóvão Colombo e nas Jornadas do Congresso Pedagógico Hispano Português Americano, ambos realizados em Madrid.

Em 1891-1892 dirige o Instituto Industrial e Comercial de Lisboa.

Em 1892 é nomeado vogal do Conselho Superior de Instrução Pública.

Dedica-se ainda aos estudos pedagógicos, publicando diversos títulos versando a matéria, de que são exemplo: A Introdução à Pedagogia (1892), O Ensino (1898), O Ensino Primário e Secundário (1899) e O Ensino Profissional (1899).

Em Março de 1873 é admitido como sócio no Instituto de Coimbra, que dirige entre 1896 e 1908, e em Agosto de 1878 é eleito procurador substituto à Comissão Distrital da Junta Geral de Coimbra.

[Carreira Política]  voltar ao índice

Inicia-se na política bastante novo pela mão do chefe regenerador Fontes Pereira de Melo. Em Agosto de 1881 é proposto deputado pelo círculo de Vila Nova de Famalicão mas acabará por desistir a favor de Adolfo Cunha Pimentel.

Nas eleições suplementares de 1882 é eleito deputado pelo círculo de Lamego, em representação do Partido Regenerador. Estreia-se como orador parlamentar em 1883.

Na legislatura seguinte (1884-1887) é reeleito, agora por Coimbra. Em 1890 é eleito par do Reino pelos estabelecimentos científicos, lugar que ocupa até 1893.

Em Fevereiro de 1893 integra o primeiro ministério de Hintze Ribeiro, como ministro das Obras Públicas. É nessa qualidade que autoriza a organização da Exposição Industrial Portuguesa e que promove a criação do Tribunal dos Árbitros Avindores, considerado por alguns autores o primeiro Tribunal de Trabalho (18-5-1893). Demite-se em Dezembro.

Em Abril de 1894 é reeleito par do Reino, cargo que ocupa até à abolição dos pares electivos, em Setembro do ano seguinte.

Como parlamentar dedica especial atenção ao ensino. A criação da cadeira de Antropologia (substituindo Agricultura) na Faculdade de Filosofia, que virá a reger, resulta de um projecto da sua iniciativa. A reforma da instrução secundária, a liberdade no ensino e a organização do Conselho Superior de Instrução Pública (de que será vogal) são as principais questões que aborda.

Em 1874 entra na Maçonaria, na loja Perseverança, com o nome simbólico de "Littré". Presidente do Conselho da Ordem do Grande Oriente Lusitano, de 1892 a 1895, o seu prestígio eleva-o a grão-mestre, cargo que ocupa de 1895 a 1899.

Em 31 de Outubro de 1903, descrente dos valores e práticas monárquicas, faz a sua profissão de fé republicana em conferência proferida no Ateneu Comercial de Lisboa, aderindo formalmente ao Partido Republicano Português (PRP). A partir de então empresta todo o seu prestígio e toda a sua capacidade organizadora à remodelação e ao robustecimento do partido.

Em 1906 é eleito membro do Directório e seu Presidente (até 1909). Toma parte nas vigorosas campanhas de ataque à Monarquia e de propaganda dos ideais republicanos, intervindo activamente em numerosos comícios.

Em 1904, 1905 e 1906 é candidato a deputado nas listas republicanas, sempre pelo círculo de Lisboa, não conseguindo ser eleito.

Em 1907 solidariza-se com os estudantes grevistas da Universidade de Coimbra, num movimento generalizado de contestação ao governo de João Franco, acabando por pedir a exoneração do cargo de lente da Universidade como forma de protesto contra a repressão exercida durante a greve académica. A sua atitude merece-lhe homenagens públicas. Nas vésperas da proclamação da República é um dos mais conhecidos, prestigiados e amados caudilhos populares.

Em Agosto de 1910 é um dos cinco deputados eleitos por Lisboa Oriental, juntamente com António José de Almeida, Afonso Costa, Alfredo de Magalhães e Miguel Bombarda.

Após a implantação da República em 5 de Outubro de 1910, integra o Governo Provisório presidido por Teófilo Braga como ministro dos Estrangeiros, assumindo interinamente, de Abril a Junho de 1911, a pasta da Justiça, por doença do seu titular, Afonso Costa.

Em 1911 é eleito deputado à Assembleia Nacional Constituinte, pelo círculo de Lisboa.

A sua amizade e aliança táctica com Afonso Costa tornam-no o candidato "radical" à primeira Presidência da República, perdendo a eleição para Manuel de Arriaga, apoiado pelas forças do "bloco" (24-08-1911).

Eleito senador (25 de Agosto de 1911), abandona funções por ter sido indigitado o primeiro Governo constitucional da República (3 de Setembro de 1911).

A 20 de Janeiro de 1912 é nomeado ministro de Portugal no Rio de Janeiro. Deixa o país em Junho e toma posse da legação portuguesa no mês seguinte (promovida a embaixada em Novembro de 1913).

Volta a Portugal em Fevereiro de 1914, quando se vive no país uma crise ministerial. Chega a tempo de recolher a herança de Afonso Costa, entretanto demitido, e forma um ministério extrapartidário, concebido para apaziguar as contendas e serenar os ânimos entre os partidos. O executivo toma posse no dia 9 de Fevereiro de 1914, mantendo-se em funções até 23 de Junho. Pretendia ser um governo de reconciliação nacional, prevendo no seu programa uma proposta de tréguas a monárquicos, sindicalistas e católicos, a quem prometia uma revisão da lei da separação. É, na prática, um governo de técnicos.

Em Junho, pede a demissão do executivo a que preside, sendo novamente chamado a formar governo. Trata-se, mais uma vez, de um governo "extrapartidário", decorrente do facto de o mandato parlamentar terminar no final de Junho. Todos os ministros são independentes, à excepção do presidente. Mas, para todos os efeitos, até Janeiro de 1915, o Partido Democrático continua no poder.

Cabe a Bernardino Machado a difícil tarefa de definir a posição de Portugal no conflito europeu, ao lado dos Aliados. Em Agosto de 1914 apresenta uma proposta de lei que visa conferir ao executivo as faculdades necessárias para garantir a ordem na conjuntura de guerra, que é aprovada.

Em 23 de Novembro de 1914 lê no Congresso a declaração governamental sobre a intervenção militar portuguesa na guerra - se e quando a Inglaterra necessitar. Esta atitude merece severas críticas por parte de muitos democráticos e evolucionistas, que entendem que Portugal deve forçar uma intervenção mesmo sem o expresso pedido dos ingleses. Mas uma questão menor leva Bernardino Machado à demissão em 5 de Dezembro, regressando ao lugar de senador.

Em Março de 1915, toma uma posição frontal contra o governo de Pimenta de Castro, participando na reunião do Congresso no Palácio da Mitra.

[Eleição]  voltar ao índice

1.º Mandato

A vitória dos democráticos na revolta de 14 de Maio de 1915 e nas eleições subsequentes (13 de Junho) garantem a Bernardino Machado a eleição para a Presidência da República em 6 de Agosto de 1915 com 134 votos, no 3.º escrutínio, contra 18 de Correia Barreto e 27 listas inutilizadas.

Todavia a sua eleição não é pacífica, mesmo entre os democráticos, cujas preferências se dividem entre António Xavier Correia Barreto, Alves da Veiga e Duarte Leite. O candidato evolucionista é o poeta Guerra Junqueiro e o dos unionistas é Duarte Leite.

Na 1.ª votação comparecem 189 congressistas e os votos distribuem-se pelos vários candidatos: Bernardino Machado (71), Correia Barreto (44), Abílio de Guerra Junqueiro (33), Duarte Leite (20), Augusto Alves da Veiga (4), Pedro Martins e José Caldas (1) e listas brancas (15).

O 2.º escrutínio determina os seguintes resultados: Bernardino Machado (75), Correia Barreto (45), Guerra Junqueiro (30), Duarte Leite (19), Alves da Veiga (2) e listas brancas (12).


[Mandato Presidencial]  voltar ao índice

1.º Mandato:

O Chefe de Estado demonstra uma vez mais a Afonso Costa a confiança que nele deposita, chamando-o para constituir ministério e concedendo-lhe o seu apoio pleno durante mais de dois anos. Já restabelecido de acidente de viação sofrido em Julho, o líder do Partido Democrático inicia funções em 29 de Novembro de 1915 e preside a um ministério cem por cento democrático até 15 de Março de 1916.

Nos inícios de 1916, em plena I Guerra Mundial, a Grã-Bretanha solicita a Portugal que requisite os navios mercantes alemães refugiados em águas portuguesas. O governo português, consciente do risco que tal medida acarretaria, decide-se a proceder à requisição das embarcações em Fevereiro. A resposta é a declaração de guerra por parte da Alemanha (9 de Março), seguida, a breve trecho, do corte de relações diplomáticas com a Áustria-Hungria.

Com a entrada formal do país na Grande Guerra, e por iniciativa de Bernardino Machado, democráticos e evolucionistas assentam na constituição de um governo de unidade republicana ditado pelas circunstâncias.

Essa "união sagrada" tem de cumprir a difícil tarefa de organizar uma força expedicionária que vá combater em França, além das várias expedições a Angola e a Moçambique. Mas o exército português não está em condições de ser enviado para os campos de batalha da Flandres e sofrer o confronto com os modernos exércitos europeus. Afonso Costa, que se tornara a face exterior de Portugal perante os Aliados, é acusado de descurar a política interna: católicos e monárquicos conspiram e, mesmo no interior do próprio partido, é alvo de críticas, acusado de autoritarismo.

Afonso Costa cede a liderança do executivo a António José de Almeida (16 de Março de 1916 a 25 de Abril de 1917), e unionistas e socialistas, embora não estejam representados no governo, concedem-lhe o seu apoio. No entanto, os democráticos continuam a controlar a situação, já que as pastas-chave (Finanças, Guerra e Negócios Estrangeiros) permanecem nas suas mãos.

Em Dezembro de 1916, Machado Santos lidera uma revolta militar com a colaboração de tropas de Tomar. O esforço de guerra e o reduzido espaço de manobra deixado pelos democráticos levam ao abandono do poder pelos evolucionistas (20 de Abril), sem que, no entanto, retirem o seu apoio parlamentar ao executivo. O Presidente da República, Bernardino Machado, chama de novo Afonso Costa, que reassume as Finanças e a Presidência do ministério (de 25 de Abril a 8 de Dezembro de 1917).

O ano de 1917 revela-se um ano difícil.

A inflação resultante da economia de guerra dá origem a um movimento reivindicativo sem precedentes contra a carestia de vida. A agitação social sucede-se nas cidades e até na província. O protesto sai à rua e o governo reprime-o como pode. De 19 a 21 de Maio, ocorrem em Lisboa e arredores um conjunto de greves, motins e assaltos a mercearias e armazéns ("Revolução da Batata"). Da intervenção da força pública resultam 25 mortos e cinco dezenas de feridos graves, além da suspensão total de garantias constitucionais por um mês. No Porto, a vaga de agitação social causa mais de 22 vítimas mortais. A 12 de Julho registam-se na capital novos confrontos com os grevistas, saldando-se em cinco mortos, numerosos feridos e presos, e a declaração do estado de sítio até ao dia 28. Em Setembro, a União Operária Nacional (UON), a Associação de Lojistas de Lisboa e o Sindicato Ferroviário pronunciam-se sobre as greves dos correios, telégrafos e telefones e, no dia 8, a UON convoca a greve geral, ao que o governo responde com a mobilização dos grevistas.

A partir de 9 de Junho de 1917, Afonso Costa e Augusto Soares participam em Paris na Conferência Económica dos Aliados. Alguns dias depois, Afonso Costa desloca-se a Londres para negociar as condições da participação portuguesa na guerra. Na frente das operações militares portuguesas em França, os militares recebem a visita do Presidente da República (de 8 a 17 de Outubro), de Afonso Costa e de Augusto Soares, ministro dos Negócios Estrangeiros.

Bernardino Machado aproveita a ocasião para se avistar com líderes políticos estrangeiros: Afonso XIII de Espanha (9 de Outubro de 1917), Raymond Poincaré, de França (10 de Outubro), Jorge V de Inglaterra (18) e Alberto I da Bélgica (22). É a primeira vez que um Presidente da República Portuguesa se desloca ao estrangeiro.

O governo de Afonso Costa está cada vez mais isolado nos campos e nas cidades.

O terceiro governo de Afonso Costa colocara contra si todos os sectores da vida nacional: o movimento operário e sindical, adversário da política de guerra e inconformado com as medidas repressivas exercidas; o patronato, receoso das alterações da ordem pública que o executivo não conseguia suster por completo; a Igreja e os católicos, temerosos do bolchevismo, encontram um novo fôlego nas aparições de Fátima em Maio e Outubro desse ano.

Em 19 de Novembro realizam-se eleições municipais em Lisboa, tendo os democráticos vencido por uma escassa margem de 200 votos. O seu líder parte para Paris no mesmo dia para tomar parte na Conferência dos Governos Aliados. Regressa a 6 de Dezembro, já com a revolução sidonista na rua.

Bernardino Machado tenta ainda negociar com a Junta Revolucionária. Alegadamente sem consultar Afonso Costa, e invocando o argumento de que seria necessário impedir o alastramento das cisões no exército, aceita a demissão do Governo e procura formar um executivo liderado por Brito Camacho.

Mas a revolta sidonista triunfara. A 9 de Dezembro o chefe do Estado é convidado a renunciar ao seu mandato, o que recusa. No dia seguinte é colocado sob prisão e, a 11, destituído das suas funções por decreto da Junta Revolucionária. Nesse mesmo dia um outro decreto determina que deveria residir fora de Portugal até ao dia em que, caso não tivesse sido destituído, o seu mandato terminaria (5 de Outubro de 1919).


[Depois da Presidência]  voltar ao índice

Depois do 1º Mandato (entre 1917 e 1925):

Deposto pelo golpe sidonista, Bernardino Machado parte para o exílio em França, via Madrid, no dia 15-12-1917. Chega a Paris um mês depois e aí fixa residência até Abril de 1918, altura em que se muda para Hendaye.

Em Novembro de 1918 segue para Cambo-les-Bains. Em Dezembro regressa novamente a Paris. Durante todo o exílio Bernardino Machado redige várias proclamações e manifestos contra o consulado sidonista, encontra-se com políticos e altas individualidades francesas e inglesas, concede entrevistas e profere conferências públicas. Em Maio de 1918 sofre um rude golpe com o reconhecimento oficial do regime de Sidónio Pais pelos governos francês e inglês.

Com a morte de Sidónio, a 14 de Dezembro de 1918, aguarda em vão a chamada a Portugal para o cumprimento do mandato presidencial. Poucos o querem de volta, preferindo antes a eleição de Canto e Castro. Tendo em conta as circunstâncias, decide renunciar, em mensagem de 18 de Fevereiro de 1919. Logo depois é autorizado a regressar a Portugal (24-2-1919).

Chega do exílio em Agosto de 1919 e volta em força à actividade política, sendo eleito, uma vez mais, senador (Outubro de 1919) por Lisboa.

É reintegrado como professor na Faculdade de Ciências de Coimbra (5 de Novembro), mas aposenta-se pouco depois.

A 25 de Fevereiro de 1921, o então Presidente da República António José de Almeida convida-o a formar governo. Bernardino Machado cede à interpelação e constitui um executivo onde estão representadas diversas forças políticas.

O seu terceiro governo entra em funções em 2 de Março. A sua vida é, porém, breve. Sob o pretexto de Machado ter preparado um golpe de estado para depor António José de Almeida, dão-se movimentações protagonizadas pela GNR, que levam à queda do gabinete em 23 de Maio. Dissolvido o Congresso e marcadas novas eleições para Julho, decide não concorrer, ficando fora das câmaras.

Em Outubro de 1921 recusa o convite para representar Portugal na Conferência de Washington.

Nas eleições presidenciais de 6 de Agosto de 1923 apresenta-se novamente como candidato. É surpreendido com a recusa de apoio por parte dos democráticos: as divergências viriam do tempo do golpe de Sidónio e das atitudes então tomadas por Bernardino Machado. Para além do mais, consideram a sua imagem desgastada e preferem avançar com o nome de Teixeira Gomes. Magoado, convencido do direito que lhe cabe a uma reparação pela usurpação sidonista, Machado aceita o apoio dos conservadores. A sua candidatura é derrotada pela de Teixeira Gomes.

Em Novembro de 1925 é eleito senador pela Conjunção Republicano-Socialista.


[Eleição]  voltar ao índice


2.º Mandato

Em 1925, ante a demissão de Manuel Teixeira Gomes, Bernardino Machado, agora com 74 anos de idade, candidata-se novamente à Presidência da República e consegue ser eleito em 11 de Dezembro, ao fim do segundo escrutínio, por um Parlamento em que o Partido Democrático dispõe de maioria absoluta.

No 1.º escrutínio os resultados distribuem-se pelos oito candidatos: Bernardino Machado obtém 124 votos, Duarte Leite 33, Francisco Gomes Teixeira 5, António Maria Bettencourt Rodrigues, Belo de Morais, Afonso Costa e Jacinto Nunes 1, e são apresentadas 4 listas brancas.

Bernardino Machado é eleito na 2.ª votação com 148 votos ¿ Duarte Leite obtém 5 e Bettencourt Rodrigues 1. Registam-se 6 listas brancas.


[Mandato Presidencial]  voltar ao índice

2.º Mandato:

O segundo mandato presidencial de Bernardino Machado é relativamente breve.

Um dos seus primeiros actos é o de empossar o executivo do democrático António Maria da Silva, que, pela sexta vez, ocupa o cargo de presidente do ministério (17 de Dezembro de 1925 a 30 de Maio de 1926).

Mas a Nova República Velha tem os dias contados. O descontentamento generalizara-se na sociedade portuguesa.

A desagregação económica, social e política da República torna possível que as diversas oposições se aproximem e que se instale a crise de legitimidade dos "bonzos" (ala direita) do PRP.

As tentativas de golpe sucedem-se.

Em Fevereiro de 1926, Martins Júnior e Lacerda de Almeida penetram no quartel da Escola Prática de Artilharia, em Vendas Novas, e dominam a oficialidade com a ajuda de sargentos e civis. Formam-se juntas militares regionais em Braga, Coimbra, Lisboa e Évora desde o início do ano. A 10 de Março o deputado Cunha Leal apresenta no Parlamento o novo Partido da União Liberal Republicana, constituído a partir de um grupo que se cindira do Partido Nacionalista. E a 27 desse mês, o "grupo Seara Nova" alerta já para o perigo de vir a ser instaurado em Portugal um regime de tipo fascista. Em 26 de Abril, o mesmo Cunha Leal incita o Exército a salvar a República, num discurso proferido em Braga. Adivinha-se o golpe militar que se concretiza em 28 de Maio de 1926.

O golpe militar fundador da Ditadura Militar desenvolve-se a partir de Braga, formalmente sob a liderança do general Gomes da Costa, herói das campanhas africanas e da I Guerra Mundial. Mendes Cabeçadas, em Lisboa, secunda-o de imediato, reclamando de Bernardino Machado a demissão do Governo. O Presidente da República considera possível o isolamento da conspiração e responde com acções intimidatórias. Mas as adesões seguem-se um pouco por todo o país e a acção popular de rua não convence.

No dia 29 de Maio de 1926, Bernardino Machado aceita o pedido de demissão apresentado colectivamente pelos membros do governo de António Maria da Silva. No dia seguinte dá posse a um executivo presidido por Mendes Cabeçadas, que assume a gestão de todas as pastas ministeriais. Nesse mesmo dia são encerrados a Câmara dos Deputados e o Senado.

A 31 de Maio Bernardino Machado demite-se da Presidência da República e transmite os seus poderes ao comandante Mendes Cabeçadas - principal representante da corrente republicana conservadora envolvida no golpe. Espera assim manter o golpe dentro dos limites constitucionais.


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Depois do 2.º Mandato:

Após o abandono do cargo de Presidente da República continua a viver na sua casa da Cruz Quebrada, nos arredores de Lisboa. Aguarda o rumo dos acontecimentos. Logo depois, retoma o combate. Estreita relações com os opositores, conspira ou aconselha os conspiradores que preparam a revolução de Fevereiro de 1927.

Serão essas ligações que motivarão a segunda expulsão de território nacional. Nas vésperas do movimento revolucionário de Fevereiro de 1927, os ditadores, repetindo o gesto de Sidónio Pais, expulsam Bernardino Machado do país. Segue para Vigo, Corunha (Galiza, Espanha), e depois para França (em Julho, Cambo-les-Bains; em Abril de 1928, para Paris; em Abril de 1929, para Bayonne; em Julho do mesmo ano para Ustaritz; em Outubro novamente para Bayonne e em Janeiro de 1932 para Biarritz).

Durante treze anos conserva-se no exílio. Aqui, tenta denodadamente, com Afonso Costa e outros, realizar a unidade da Oposição, dentro e fora do país.

Em sua casa têm lugar uma série de reuniões de exilados políticos. Por várias vezes se dirige aos chefes de Estado e de Governo, bem como à SDN, protestando contra o reconhecimento oficial da Ditadura.

Publica mais de 30 manifestos contra a Ditadura e o Estado Novo, de que se destacam A Pastoral Financeira do Patriarca (1928), O Crime Financeiro da Ditadura (1929), O Estado Novo Ditatorial (1931), Os Perigos da Ditadura (1933), O Estado Novo e o Grande Empréstimo Externo (1935) e Os Perigos Coloniais (1935).

Alguns dos seus filhos e outros membros da família são presos. É multado com a exorbitante quantia, para a época, de 200 contos, sob a acusação de trair os interesses do país.

Proclamada a República em Espanha, fixa-se em La Guardia, na Galiza. A ditadura portuguesa inicia então pressão junto das autoridades espanholas no sentido de conseguir o internamento dos chefes oposicionistas exilados longe da fronteira com Portugal. No Verão de 1935 o governo de Lerroux cede. É então forçado a estabelecer residência provisória na Corunha, transferindo-se em Novembro para Madrid.

A eclosão da guerra civil espanhola obriga-o a sair de Madrid, quando a cidade está quase cercada pelas forças nacionalistas.

Em Setembro de 1936 muda-se para Valência e em Outubro, instado por familiares e amigos, ruma novamente a França. Acaba por se fixar em Paris.

Só volta a Portugal quando os exércitos alemães invadem a França, convicto como estava de que o país seria chamado a intervir no conflito e de que o lugar de todos os republicanos deveria ser dentro dele.

Entrou em Portugal em 28 de Junho de 1940, acompanhado de um grupo de exilados políticos, entre os quais Jaime Cortesão. O Governo, como punição ou por receio, fixa-lhe residência a norte do Douro.

Recolhe-se a Paredes de Coura e, mais tarde, aos arredores do Porto.

Em 1944 é internado numa casa de saúde do Porto. Aí morre no dia 29 de Abril, vítima de pneumonia aguda, com 93 anos de idade.




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