Visitas de Estado

Com a proclamação da República em 1910, o poder passaria para as mãos de um governo provisório até à aprovação da Constituição em 1911, que instituía poderes bastante reduzidos ao Presidente da República.

Para contrastar com o poder do Rei, a sua projecção pública e os seus meios materiais seriam limitados ao mínimo e não estava sequer prevista residência oficial, apenas um gabinete no Palácio de São Bento, desviando o centro do poder para o Parlamento. A Câmara dos Deputados elegia o Presidente, por dois terços dos votos, e podia destituí-lo, mas a partir de 1919 os seus poderes e, consequentemente, o seu prestígio, seriam alargados.

Embora a Constituição de 1911 lhe atribuísse funções de representação da Nação na política externa da República, a limitação dos poderes presidenciais nesta fase de afirmação do novo regime republicano impedia que o Presidente da República tomasse decisões reais quanto ao futuro das relações diplomáticas com outros países.

I República

Durante a I República uma profunda crise económica e social herdada da Monarquia, e uma constante instabilidade governativa, impediram que Portugal se ocupasse em desenvolver a sua política externa. Nesta fase, o país procurava o reconhecimento do novo regime e manutenção da política colonialista, ameaçada pelas constantes pressões internacionais.

Não estavam criadas condições para os Presidentes da República efectuarem ou receberem visitas de Estado, salvo raras excepções nos mandatos dos Presidentes Bernardino Machado, João do Canto e Castro, e António José de Almeida.

Ditadura Militar e Estado Novo

A constante e crescente instabilidade política da I República cessou pelo golpe militar de 28 de Maio de 1926, encabeçado pelo Marechal Gomes da Gosta, instaurando assim um regime ditatorial que se manteria por quase cinco décadas.

Segundo a Constituição de 1933, cabia ao Chefe de Estado representar a Nação e dirigir a política externa do País, mas no decorrer dos 48 anos do Estado Novo, a auto-imposta política de isolamento impedia que os Presidentes efectuassem deslocações externas, ou recebessem chefes de Estado estrangeiros no país com regularidade pelo que não existe um número elevado de visitas a assinalar.

Com a política do Estado Novo os poderes do Presidente pareciam então alargados: os anos de mandato passariam de quatro para sete anos, a eleição é feita por sufrágio universal, ser-lhe-ia inclusivamente permitido nomear e demitir o Presidente do Conselho, dissolver o Parlamento ou vetar leis. Todavia, este aumento de poder não impediu que o centro de decisão permanecesse em São Bento, onde António de Oliveira Salazar geria todos os assuntos da Nação, inclusivamente a nomeação dos próprios Presidentes da República.

Democracia

A partir de 25 de Abril de 1974, o quotidiano nacional altera-se substancialmente. O MFA (Movimento das Forças Armadas) inicia a viragem de uma nova página da História de Portugal. O objectivo que se propunha era, acima de tudo, libertar o país do regime ditatorial que o Estado Novo impusera desde 1926. Democratizar, Descolonizar e Desenvolver seria o lema da Junta Revolucionária. Foi neste sentido que os chefes de Estado realizaram deslocações ao estrangeiro, promovendo a democracia portuguesa.

Multimédia

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À saída da Câmara Municipal de Lisboa, João do Canto e Castro (com o chapéu de plumas na mão) com o Presidente eleito dos Estados Unidos do Brasil, Epitácio Pessoa (de chapéu alto na mão), durante a visita oficial a Portugal O Presidente da República, Mário Soares (ao centro, de fato verde), acompanhado pelo Primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva (à direita do chefe de Estado português), junto à Fundação Casa de Jorge Amado, por ocasião da III Cimeira Ibero-Americana O Presidente da República, Mário Soares (à frente, à esquerda), com o seu homólogo sul-africano Nelson Mandela (à direita), por ocasião da visita de Estado realizada à África do Sul O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (ao centro), durante a visita de Estado a Moçambique. Receção no Aeroporto Internacional de Maputo, com grupo de dança tradicional moçambicana O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a chanceler alemã Angela Merkel Marcelo Rebelo de Sousa (à esquerda) com o Presidente dos Estados Unidos da América, Donald J. Trump (à direita) O Presidente da República Portuguesa (à frente) discursando nas Organização das Nações Unidas Marcelo Rebelo de Sousa (à esquerda) com o Presidente da República Popular da China, Xi Jinping (à direita)