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A menção ao Reinado Sidonio, neste prato de feição popular, poderá ser uma alusão satírica ao «Presidente-Rei», como chamou Fernando Pessoa a Sidónio Pais. O seu breve mandato como Chefe do Estado — de dezembro de 1917 a dezembro de 1918 — foi marcado por um forte pendor ditatorial e pela esperança na restauração da monarquia. A tentativa revolucionária para repor o Rei exilado no trono, ocorrida pouco depois do assassínio de Sidónio, e que ficou conhecida como a «Monarquia do Norte», teve ecos em Lisboa, porém, com maus resultados. A forte contrarresposta republicana levou os adeptos monárquicos a entrincheirarem-se na cadeia de Monsanto, no dia 22 de janeiro de 1919. Os confrontos, bem documentados pela revista Ilustração Portugueza (n.º 676, de 1919), terminaram na rendição dos monárquicos dois dias depois. 

O interesse pelo mundo militar levou Alberto Cutileiro (ca. 1915-2003), artista de muitas facetas — pintor, gravador, ceramista, modelista —, a retratar o Presidente da República Sidónio Pais. Alcançada a chefia do Estado, Sidónio acrescentou cinco estrelas de general à farda de major que tinha sido. Este prato de faiança (ver fotografia na galeria multimédia) faz parte de uma coleção humorística, da autoria de Alberto Cutileiro, dedicada a líderes militares.

Multimédia

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«Reinado Sidonio Monsanto Sala 6». Prato de faiança. «Olha o Sidónio vestidinho á militar Ó Maria abre-lhe a porta que o Sidónio quer entrar». Prato de faiança.