Terra à vista!

No Arquivo do Presidente João do Canto e Castro, uma vista do arquipélago brasileiro de Fernando Noronha e outra da ilha cabo-verdiana de S. Vicente, desenhadas a carvão, são testemunhos de uma inesquecível viagem.

Em julho de 1913, Canto e Castro, então capitão-de-fragata, foi incumbido de uma missão que se tornaria um marco na sua biografia: ir buscar o cruzador Adamastor a Macau (o navio tinha encalhado perto de Hong Kong) e assumir o seu comando.

O Adamastor, o primeiro cruzador moderno da Marinha portuguesa, foi construído em 1896, nos Estaleiros Navais de Livorno (Itália), em resultado de uma subscrição nacional, e na sequência do Ultimato inglês, quando se tornou clara a necessidade de adquirir novos meios operacionais para salvaguardar a soberania nacional nos territórios ultramarinos. Até ao ano do seu abate (1933), esta embarcação teve um papel de relevo nas comissões de África e do Extremo Oriente, ostentando o seu estandarte, a partir de 1922, a Ordem Militar da Torre e Espada.

Para chegar a Macau, Canto e Castro tomou o comboio, numa longa viagem que o levou de Lisboa a Paris, de França à Rússia, passando pela Alemanha, no famoso transiberiano, e depois atravessando a China até ao destino final.

Pelo caminho, encontrou-se em Berlim com o representante diplomático de Portugal na Alemanha, Sidónio Pais, que o viria a convidar para o seu governo em 1918, e visitou cidades como Moscovo e Petrogrado (atual São Petersburgo).

O regresso a Portugal foi feito já a bordo do Adamastor, cruzando primeiro o Índico e depois o Atlântico, uma viagem que só terminou, em Lisboa, em janeiro do ano seguinte.

Partindo a 15 de agosto, a embarcação fez escala em Hong Kong, Singapura e Cidade do Cabo, chegando, depois, ao Rio de Janeiro, onde a sua presença constituiu um meio de promoção da jovem República Portuguesa no Brasil: sucederam-se, então, as receções oficiais, as récitas, os bailes na embaixada de Portugal ou as visitas a agremiações. Também aqui, Canto e Castro conheceria o embaixador de Portugal naquele país, Bernardino Machado, futuro Presidente da República.

Seguiram-se, ainda, passagens pela ilha de S. Vicente (Cabo Verde) e pela Madeira, antes da chegada a Lisboa, quando Canto e Castro deu como terminada e cumprida a sua missão.

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Desenho a carvão do arquipélago Fernando de Noronha (Brasil), elaborado por João do Canto e Castro, para apoio à navegação costeira. Desenho a carvão do arquipélago de Cabo Verde, visto da entrada do Porto Grande, elaborado por João do Canto e Castro, para apoio à navegação costeira. O capitão-de-fragata João do Canto e Castro. Como comandante do navio «Adamastor», o capitão-de-fragata João do Canto e Castro, à esquerda, cumprimenta um oficial da Armada brasileira, por ocasião da passagem do cruzador pelo Brasil. Sidónio Pais no período em que desempenhou funções diplomáticas; foi chefe de missão de 1.ª classe, enviado extraordinário e ministro plenipotenciário em Berlim, entre 1912 e 1916. Bernardino Machado, representante diplomático de Portugal no Rio de Janeiro, em 1913. Foi o primeiro embaixador de Portugal no Brasil.