Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo Rebelo de Sousa exerceu dois mandatos como Presidente da República, entre março de 2016 e março de 2026.

Para realizar o seu retrato oficial, Marcelo Rebelo de Sousa convidou Alexandre Farto, conhecido como Vhils, artista de renome na arte urbana nacional e internacional. Com esta escolha, introduziu uma inovação na Galeria dos Retratos: pela primeira vez, o suporte e a técnica não se baseiam na pintura sobre tela, mas um processo artístico que envolve a colagem, o baixo-relevo e a criação de texturas e profundidade, na aproximação à linguagem escultórica.

Vhils partiu de uma fotografia de Rui Ochoa – fotógrafo oficial de Marcelo Rebelo de Sousa. Seguiu-se a seleção de um conjunto de jornais e revistas com notícias sobre alguns dos acontecimentos mais marcantes do país e dos mandatos presidenciais, material que foi sobrepondo para criar um suporte de trabalho. Estabelecida essa base, o artista iniciou o processo de escavação, perfuração e desgaste controlado do papel até fazer emergir o rosto do retratado em baixo-relevo, evocando uma identidade que se constrói por camadas acumuladas de história(s). No final, foi aplicada uma camada de tinta branca sobre a imagem, tornando o conjunto mais equilibrado e visualmente mais harmonioso. Enquanto instrumento de memória coletiva e de comunicação efémera, o suporte jornalístico contribui para a significação do retrato.

Essa prática de trabalho materializa a ideia central da obra de Vhils: em vez de construir a imagem acrescentando elementos, constrói-a retirando, descobrindo estratos de memória, em que revelar pode ser tão importante como acrescentar.

Durante o processo criativo e de execução do retrato, que decorreu ao longo de cerca de seis meses, no estúdio do artista, no Barreiro, foram realizados estudos preparatórios e desenvolvidas várias versões em simultâneo.

Vhils ofereceu o retrato à Presidência da República.