Jardins

Jardim do Buxo

Criado em meados do século XVI, apresenta, no essencial, o traçado geométrico introduzido no reinado de D. Maria I, por volta de 1780. É o maior jardim do Palácio e tinha, até meados do século XIX, o rio Tejo a cerca de 100 metros de distância. A sua proximidade ao Gabinete Oficial e às Salas Protocolares torna-o muito frequentado pelo Presidente da República.

Da Sala de Jantar ao Gabinete Oficial, todas os espaços abrem portas para a varanda da fachada principal, sendo esta utilizada para receções oficiais no bom tempo. Por baixo, encontra-se uma casa de fresco com as armas da Rainha D. Maria I; decorada com esculturas, estuques e bancos de pedra, liga diretamente com o jardim. À semelhança de mais três casas de fresco, situadas num plano inferior ao Jardim do Buxo, próximas da rua, era um refúgio de sombra, conversa e diversão nos tempos da corte. Nessa altura, não existiam os atuais pinheiros mansos, com largas copas, plantados há mais ou menos 100 anos.

No dia 1 de novembro de 1755, quando o histórico terramoto se abateu sobre Lisboa, a família real encontrava-se no Palácio de Belém. A Rainha, D. Mariana Vitória, escreveu uma carta à mãe, a Rainha de Espanha, poucos dias depois, dizendo que apesar do abalo terrível sentido no palácio, conseguiram fugir todos para o exterior e que o Rei, D. José I, ordenou que fossem montadas tendas no Jardim de Buxo, onde estavam a viver.

Jardim da Cascata

Documentado desde o século XVII, este jardim é também o resultado de uma grande renovação promovida no tempo de D. Maria I. Nessa altura, ganhou o atual desenho de buxo aparado, o lago central e os viveiros — pavilhões dispostos em anfiteatro, construídos para aves exóticas. Enviadas do Brasil, aqui viviam: emas, marabus, galos da Índia, tucanos, mutuns, entre muitas espécies raras.

A cascata que dá o nome ao jardim, com uma escultura italiana do século XVII — Hércules e a Hidra de Lerna —, centra este conjunto único em Portugal, construído pelo arquiteto Mateus Vicente de Oliveira.

Em 2009, os viveiros foram restaurados; o circuito da água, essencial na cenografia, originalmente a funcionar pela gravidade, foi transformado num circuito fechado, auto-sustentado. O Jardim da Cascata ganhou condições que o tornaram um espaço frequentemente usado para iniciativas presidenciais, como  a anual Festa do Livro. Os pavilhões passaram a acolher exposições temporárias do Museu da Presidência da República.

Pátio dos Bichos e Jardim das Tileiras

O Pátio dos Bichos é a entrada principal do Palácio de Belém; a ele chegam todas as personalidades, nacionais e estrangeiras, que são recebidas pelo Presidente da República, depois de entrarem no portão de Honra, que dá para a Praça Afonso de Albuquerque. Neste pátio têm lugar cerimónias com pompa militar, nomeadamente quando se trata da visita oficial de um chefe de Estado estrangeiro ou da apresentação de credenciais de novos embaixadores.

Um conjunto de jaulas delimita o lado norte do pátio; albergaram animais vindos dos territórios portugueses ultramarinos, principalmente felinos: um tigre, um leão, uma onça, um leopardo. Um dos leões foi desenhado pelo pintor Francisco Vieira de Matos, chamado Vieira Lusitano, hoje guardado no Museu Nacional de Arte Antiga. Mais acima, na área do atual Jardim Botânico Tropical, havia elefantes, camelos, zebras, entre outras espécies. A variedade zoológica da Real Quinta de Belém teve a sua época áurea nos reinados de D. José e, principalmente, D. Maria I.

Com o Presidente Mário Soares, os muros do Pátio dos Bichos foram demolidos, tornando-se, assim, um espaço contínuo, a sul com o Jardim do Buxo, a poente com então criado Jardim das Tileiras, concebido pelo engenheiro silvicultor Luís Filipe Sousa Lara. Este novo Jardim das Tileiras — duas tílias aí se encontravam — seguiu a inspiração geométrica do Jardim do Buxo e do Jardim da Cascata, reforçando a atmosfera antiga com um lago circular e vários bustos de imperadores romanos.

Em 2006, no início do primeiro mandato do Presidente Aníbal Cavaco Silva, houve lugar a uma grande obra de requalificação do Pátio dos Bichos: substituição da rede elétrica e de esgotos e repavimentação do solo; na rampa foram construídas escadas. Os acessos tornaram-se fáceis para todos os visitantes e o Palácio de Belém deu mais um passo na sustentabilidade ambiental, com o profundo programa de eficiência energética introduzido nessa data.

Jardim dos Teixos

O Jardim dos Teixos é um jardim suspenso, projetado pelo arquiteto João Gomes da Silva. Foi concebido em 2002, na sequência da construção das novas instalações para o Centro de Documentação e Informação da Presidência da República, embrião da atual Direção de Serviços de Documentação e Arquivo. O edifício recebe luz natural do lado nascente, tendo, como cobertura, uma plataforma relvada, com um alinhamento de teixos aparados em cone, a razão de se chamar Jardim dos Teixos. 

No limite poente foi mantido o enorme tanque de rega setecentista e, na área a seguir, atrás da cascata, plantadas sebes de murta,  integrando, no conjunto ajardinado, uma área outrora agrícola.

O Jardim dos Teixos passou a ser, desde a sua inauguração, mais um espaço para acolher atividades da Presidência da República, muitas delas, abertas ao público.

Jardim da Arrábida

Este jardim suspenso será tão antigo quanto o Jardim do Buxo, ambos criados pelo primeiro proprietário do palácio, D. Manuel de Portugal, em meados do século XVI. É o jardim mais pequeno e mais escondido, fechado sobre a ala residencial, destinada a habitação do Presidente. Três lados são delimitados pelo palácio, um quarto é uma parede simulada, com janelas que dão para o atual Jardim dos Teixos. 

O nome está relacionado com os frades franciscanos arrábidos, para quem D. Manuel de Portugal aqui construiu algumas celas e uma ermida.

O Presidente Francisco Craveiro Lopes, eleito em 1951, quis viver no palácio, ao invés do seu antecessor, Óscar Carmona, que viveu no Palácio da Cidadela de Cascais. Houve lugar a profundas obras de remodelação que incluíram o jardim, todas da responsabilidade do arquiteto Luís Benavente. O jardim foi dotado de um lago, de uma latada, buganvílias, cedros, loureiros, numa ambivalência entre a organização geométrica e a espontaneidade naturalista.

Durante a presidência de António Ramalho Eanes, o último Presidente que viveu no palácio, o jardim recebeu nova atualização em 1981, desta vez sob a responsabilidade do arquiteto paisagista Manuel Sousa da Câmara; alguns elementos foram mantidos, uma piscina substituiu o lago, no entanto, todo o conjunto conquistou uma atmosfera mais naturalista, tornando este jardim um refúgio moderno, intimista e prazeroso.

 

Multimédia

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Jardim do Buxo. Ao fundo, a Praça Afonso de Albuquerque. Pormenor do recorte geométrico do buxo. Pormenor da fonte oitocentista existente no lago central do Jardim do Buxo. Perspectiva do jardim da Cascata. Perspectiva do jardim com os viveiros ladeando a cascata (ao fundo, ao centro). Escultura representando o herói da mitologia grega Hércules. Jardim da Cascata. Escultura existente num dos nichos dos viveiros que se julga representar uma alegoria ao Brasil. Pátio dos Bichos. Jardim das Tileiras. Jardim dos Teixos. Ao fundo, por detrás da parede branca, árvores do Jardim Botânico Tropical. Jardim dos Teixos. Ao fundo, a cúpula da Igreja da Memória. Perspectiva do Anexo e da Arrábida a partir do jardim dos Teixos. Jardim da Arrábida. Jardim da Arrábida. Jardim da Arrábida.